IP · Território de origem

Pelotas

Doces tradicionais e confeitaria de frutas

Pelotas é uma indicação de procedência relacionada a Doces tradicionais e confeitaria de frutas, em RS. Para quem deseja conhecer essa origem, o ponto de partida é entender o produto, o território e os saberes ligados à sua produção.

Pelotas é uma indicação de procedência relacionada a Doces tradicionais e confeitaria de frutas, em RS. Para quem deseja conhecer essa origem, o ponto de partida é entender o produto, o território e os saberes ligados à sua produção.

A Indicação de Procedência reconhece a reputação de um lugar na produção de um produto ou na prestação de um serviço.

Os documentos e a delimitação apresentados nesta página ajudam a conhecer o que identifica essa origem. A inclusão de um município não significa que toda a sua área esteja abrangida pela indicação geográfica. Visitas a produtores dependem dos canais e das condições informados por cada estabelecimento.

Conheça esta origem

Nome no registro
Pelotas
Registro INPI
IG200901
Modalidade
Indicação de Procedência
Estado relacionado
Rio Grande do Sul
Concessão do registro
30/08/2011
Representação figurativa registrada de Pelotas

Onde fica a área geográfica

A delimitação define a área vinculada a esta origem. Consulte o documento oficial para limites, condições e eventuais áreas parciais.

Limites políticos dos municípios de Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo, Pelotas, São Lourenço do Sul e Turuçu, no Rio Grande do Sul.

O que caracteriza o produto ou serviço

A Associação de Produtores de Doces de Pelotas considera aptos para receberem o selo de Indicação de Procedência “Pelotas” os doces produzidos segundo o padrão de identidade e qualidade prevista no Regimento de Utilização do Nome Geográfico, sem que haja desvio da receita tradicional. Considera-se como padrão aplicável a todas às receitas o cumprimento obrigatório da caracterização microbiológica e macroscópica, definida pela legislação brasileira.

Quaisquer desvios identificados por análises laboratoriais deverão ser descartados do processo e não receberão autorização de uso do selo, até que sejam produzidos lotes em conformidade com a legislação brasileira. São produzidos os seguintes doces: 1. Ovos moles para recheios dos doces de Pelotas: doce preparado obrigatoriamente com gemas peneiradas de ovos brancos tipo 1 e açúcar refinado, cozidos, com consistência cremosa e cor com amarela forte. Pode ser aromatizado levemente com essência de baunilha e pode conter água em sua composição. Esta receita produz um doce com brilho e sabor próprios. 2.

Fondant para cobertura de bem-casado, camafeu e beijinho de coco: doce preparado pelo cozimento de açúcar em água, fervido a temperatura de 115 °C até dar ponto de fondant. Pode ser usado açúcar refinado e/ou cristal e/ou de confeiteiro. Pode conter suco de limão. Não pode se usar açúcar impalpável para produzir o fondant. A consistência ideal é macia, sem ser quebradiça. Tem sabor suave e não açucarado excessivamente. 3. Bem-casado: composto de dois discos de pão-de-ló chamados popularmente como "esquecidos", que são unidos por um recheio de ovos moles e cobertos com fondant em uma espessura fina e regular.

Possui uma coloração externa branca, leitosa, opaca, típica de doces cobertos com fondant. Possui decoração discreta com confeitos prateados aderidos sobre o doce acabado. É servido em forminhas de papel, chamadas pelotines. Apresenta-se em porções individuais. 4. Quindim: doce assado em forno, de massa homogênea contendo obrigatoriamente coco ralado, açúcar e gemas de ovos. Tem coloração amarelada em função de ser preparado com gemas de ovos e sabor acentuado de ovos e coco. Não possui recheio, nem decoração, e é servido após o resfriamento em forminhas de papel, chamadas pelotines e com fundo plástico chamado de fundo rendado. 5.

Ninho: doce em forma de ninho de pássaros, cuja estrutura externa é feita manualmente de fios de ovos enrolados, é recheado com ovos moles e decorado com confeitos de açúcar prateados. Tem formato aproximado de cilindro, com mais altura do que diâmetro. O recheio é colocado com uma "pitanga", utensílio usado pelos doceiros em Pelotas. O ninho pode ser finalizado no forno para dar uma leve dourada na sua superfície. 6. Camafeu: doce cuja massa é basicamente feita de nozes chilena ou pecãs, desde que não tenha sabor acentuado ácido. É glaceado e é decorado com uma 1/4 de noz chilena.

Tem formato de cilindro, levemente afinado nas extremidades. 7. Olho de sogra: doce de massa cozida de caco e açúcar, envolto com ameixa preta seca, no formato amendoado de um olho. Possui brilho específico de doces cobertos com glicose. Possui textura macia e sua massa é homogênea pela mistura do coco com as gemas e o açúcar. 8. Pastel de Santa Clara: doce feito de uma massa muito fina, parecendo papel, dobrada em forma de um envelope com duas pontas que se unem sobre o doce. É recheado com cerca de uma colher de sobremesa cheia de ovos motes. Tem uma textura leve e crocante, partindo-se facilmente. 9.

Papo de Anjo: doce de ovos, com formato de disco, com sabor acentuado e servido envolto em uma calda de açúcar. Possui coloração amarelo claro dourado. 10. Fatias de Braga: massa composta principalmente de amêndoas, cortada em fatias (quadradas) e cobertos com açúcar cristal. Pode ser decorado com flor de glacê real cor de rosa e verde. Sabor bastante suave e textura macia. 11. Trouxas de amêndoa: similar ao ninho, porém é deitado, feito de placas de gemas cozidas em calda. Estas placas são enroladas e recheadas com mistura cozida de açúcar e amêndoas. É assado depois de recheado e pode ser decorado com uma amêndoa. 12.

Queijadinha: doce similar ao quindim, diferindo-se por ter queijo parmesão ralado em sua composição. É assado em forminhas metálicas padronizadas em banho-maria, decorado com uma uva passa preta ou um pedaço de ameixa seca preta. 13. Broinha de coco: doce de coco, gemas e açúcar em formato esférico e com aspecto brilhoso em função da glicose em sua cobertura. 14. Beijinho de coco: doce de gemas, coco e açúcar, em formato esférico coberto com fondant e decorado com confeitos prateados. 15. Amanteigado: doce bastante delicado preparado com amêndoas, gemas e açúcar, em formato de pequenas esferas unidas e cobertas totalmente por fondant. 16.

Doces cristalizados de frutas: doces produzidos artesanalmente a partir de frutas e outros hortifrutigranjeiros, com açúcar por meio da ação do calor (fervura, secagem). Encontram-se nesta classificação: abóbora cristalizada, batata doce em calda, banana cristalizada, goiaba cristalizada, pessegada cristalizada, laranja cristalizada, figo cristalizado, marmelada, origone (pêssego seco), passa de pêssego. Têm uma textura macia, tenra como a de frutas cristalizadas e com leve crocância na parte externa.

A relação entre o produto e o lugar

A documentação descreve os elementos do ambiente, da história e do saber-fazer associados a esta indicação.

Na história econômica do município de Pelotas, destaca-se a produção do charque que fez a riqueza do município e propiciou o desenvolvimento de uma tradição que alcançou os dias atuais que é a fabricação de doces finos inspirados na culinária portuguesa. “Na comunidade de Pelotas é possível vislumbrar a grande representatividade de doces tradicionais na história e nos costumes de seu povo.” Desde o século XIX, tradicionais receitas de finas iguarias mantêm-se iguais, mas não todas elas: como é peculiar a tudo aquilo que se torna patrimônio imaterial em uma comunidade, as doceiras criativamente recriaram certos doces portugueses a partir dos ingredientes que a terra lhes ofereceu.

Portanto, é possível inferir o valor da dedicação às passas e pastas de pêssegos vindos de pomares que desde o século XVIII já eram cultivados. Também é daí que vem a inspiração para tantos novos recheios utilizando-se do coco, do abacaxi e do cacau. Para entender a representatividade e originalidade da tradição doceira em Pelotas é preciso analisar o processo histórico único que deu origem aos Doces de Pelotas, desenvolvido em uma cidade que é hoje conhecida por Capital Nacional do Doce.

Os doces de Pelotas surgem da estreita ligação cultural entre Portugal e o Brasil, onde os imigrantes europeus trouxeram receitas de doces finos de confeitaria e de frutas, que aqui se “aculturaram”. Os doces de Pelotas passaram a ser parte da economia e tradição local, e que hoje fazem parte da identidade da cidade e das heranças de sua população. Muitos cidadãos pelotenses sobrevivem direta ou indiretamente dos tradicionais doces finos. É por isso que se operacionalizou na cidade a Feira Nacional do Doce (FENADOCE).

Ela ocorre desde 1986 e recebendo aproximadamente 300 mil visitantes em 2008, beneficiando a cidade economicamente com as vendas e negócios feitos. Um exemplo é o interesse de representantes de todo o Brasil que, durante a feira, negociando junto a expositores, levam o Doce de Pelotas para confeitarias e outros estabelecimentos por todo o país.

Quem requereu o registro

Associação dos Produtores de Doces de Pelotas

Entidade indicada como requerente na ficha técnica consultada.

Municípios relacionados

O vínculo documentado não significa que todo o território de cada município esteja dentro da IG.

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